Artigo negado; Artigo Publicado: Entre a Realidade e as "ideologias"...

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Em um mundo onde as "ideologias" tentam prevalecer, sendo inculcadas a "ferro e fogo" na cabeça de boa parte da humanidade; a REALIDADE luta para ser verdadeiramente conhecida. Afinal, fatos são fatos!

Este artigo que escrevi no ano passado e tentei publicar em duas Revistas Científicas de duas Universidades diversas, foi negado com a desculpa de que o número de artigos foi excedido; me parece que na REALIDADE, por expor a VERDADE, indo de encontro com as ideologias políticas presentes e latentes na Universidades brasileiras em especial, não é tão bem aceita. Visto que, exponho o contraste comparativo entre duas obras: uma com viés extremamente ideológico e outra com elementos da realidade em torno do verdadeiro sentido dos preconceitos...

Abram suas mentes e aproveitem:


O USO DA RETÓRICA PARA FIRMAR FALÁCIAS ENTORNO DE CONSTRUÇÕES PRECONCEITUOSAS NO USO DA LÍNGUA, ASSIM COMO A DESCONSTRUÇÃO DOS CONCEITOS DE PRECONCEITOS.

Resumo: Este artigo busca de forma objetiva e crítica, refutar as colocações expostas no livro Preconceito Linguístico - O que é, Como se faz do autor Marcos Bagno, apresentando como defesa e importante auxílio para tal, argumentos plausíveis dos ensaios de Theodore Dalrymple organizados em seu livro Em Defesa do Preconceito – a necessidade de se ter ideias preconcebidas, que desconstroem a ideia do preconceito como algo somente mau. Uma vez que se percebe, principalmente no cenário pandêmico atual, a urgente necessidade de desmontar discursos muitas vezes prejudiciais e viciantes à sociedade, impedindo na maioria das vezes seu pleno desenvolvimento.  

Palavras-chave: Preconceito; Desenvolvimento Social; Educação; Linguística.

THE USE OF RHETORIC TO SPEAK FALLACIES ABOUT PREJUDICE CONSTRUCTIONS IN THE USE OF THE LANGUAGE, AS WELL AS THE DECONSTRUCTION OF PREJUDICE CONCEPTS.

Abstract: This article seeks, in an objective and critical way, to refute the points made in the book Linguistic Prejudice - What is it, How is it done by the author Marcos Bagno, presenting as plausible arguments for the essays by Theodore Dalrymple organized in his book In Defense of Prejudice - the need to have preconceived ideas, which deconstruct the idea of ​​prejudice as something only bad. Once it is perceived, especially in the current pandemic scenario, the urgent need to dismantle discourses that are often harmful and addictive to society, preventing in most cases their full development.

Keywords: Prejudice; Social Development; Education; Linguistics.

 1.      CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Ao estudar uma ciência, teóricos se debruçam sobre a sua área específica de estudos e com afinco, a partir de suas pesquisas, vão descobrindo o desenrolar das diversas possibilidades, que apesar de nem sempre serem verdades absolutas, são caminhos para serem desdobrados, pesquisados, e muito além disso, de convencimento da sociedade.

É notório que na atualidade, muitos estudos sociais assim como linguísticos, especificamente, vêm se desvendando constantemente diante dos cenários contemporâneos de desenvolvimento, ou, de simplesmente deturpar a lógica. Particularmente, com o evento pandêmico que se alastrou no mundo no início do ano de 2020, diversas teorias e algumas práticas, nas mais diversas áreas foram surgindo e/ou se reinventando, quase na mesma velocidade com que o vírus se espalhou. Como é o caso da rede de ensino brasileira, em que notoriamente, a escola privada tentou correr contra o tempo, em sua grande maioria, para que não houvesse defasagem no aprendizado de seus alunos, conforme vemos exemplos diversos ao nosso redor; assim como, ao contrário, boa parte da rede pública de ensino, com exceções é claro, não teve a mesma preocupação com o aprendizado científico, mas com outros valores morais e de vida que na realidade, precisam ser aprendidos em casa. E aqui, já se nota um emaranhado de preconceitos falsos e verdadeiros, que por fim, acabam se tornando análogos em entendimentos, mesmo que não o sejam de fato.

O caos contemporâneo que se gera entorno da palavra preconceito, parece ser muito maior do que a abrangência real de seu significado. Portanto, ao discorrer e analisar de forma mais generalizada, as duas obras aqui apresentadas e comparadas, mesmo que escritas antes do acometimento e o espalhar desastroso em todos os aspectos da pandemia, pode-se entender melhor o sentido de ideias e situações preconcebidas, que através do olhar dinâmico, diverso e/ou cruel que se cria em diversos temas, muitas vezes fogem de uma lógica histórica de um verdadeiro desenvolvimento social.

Expõem-se aqui nestas linhas, indagações que contrastam com este Preconceito Linguístico – O que é, Como se faz, que Bagno apresenta, em falaciosas desconstruções, como por exemplo, ao reconhecer uma tal crise que diz: “Ler e, sobretudo escrever não fazem parte da cultura das nossas classes sociais alfabetizadas” (BAGNO, 2002, p.107). Assim como,


Esse ensino tradicional, (...), em vez de incentivar o uso das habilidades linguísticas do indivíduo, deixando-o expressar-se livremente para somente depois corrigir sua fala ou sua escrita, age exatamente ao contrário: interrompe o fluxo natural da expressão e da comunicação com a atitude corretiva (e muitas vezes punitiva), cuja a consequência inevitável é a criação de um sentimento de incapacidade, de incompetência. (BAGNO, 2002, p.107-108)

 

Ora, já podemos verificar aqui que, há uma contradição notória nesta sua afirmação: insinua que o ensino tradicional deveria incentivar o uso das habilidades linguísticas da pessoa e suas expressões, e que somente depois pode-se corrigir sua fala ou escrita; uma contradição pois, soa como uma espécie de pleonasmo retoricamente falacioso. Ou seja, se é para corrigir depois de o indivíduo se expressar em seu “fluxo natural”, por que ele fala que essa atitude corretiva não deve acontecer e que se torna ainda: punitiva? Visto que, é questão lógica, que as crianças estão na escola para aprenderem as diversas ciências, inclusive o uso correto da língua. Então, por que se sentiriam incapazes ou incompetentes, se têm um professor para ajudá-las nesta correção? Isto é, alguém com mais experiência de vida, de conhecimentos e de estudos para tal. Não estaria sendo gerado um preconceito ruim aqui, que impede o aprendizado ao invés de motivar os estudos? Neste quesito, Dalrymple (2015, p.61-64) em seu décimo segundo ensaio, expõe a necessidade de se ter uma autoridade para a acumulação de conhecimento. Constrói argumentos tais, em que mostra como é importante nos apoiarmos em descobertas prévias sobre os mais variados assuntos, com o gozo das fundamentações de autoridades já consolidadas. E que tais descobertas sejam passadas para as demais gerações, para que se aprofundem no conhecimento, dando assim, continuidade ao desenvolvimento e que: “possam aceitá-las mais ou menos ao se valerem desta autoridade” (DALRYMPLE, 2015, p. 63).

E quanto aos adultos que vivem este suposto preconceito; será que não faltaram professores, que com o bom preconceito firmado em si mesmos, de que a língua tem que ser usada de forma correta e, consequentemente ensinada? Agindo assim, ainda haveria necessidade deste falso drama motivado? E até mesmo na fase adulta em que se encontram, será que não gostariam de aprender a correção gramatical? Será que não podemos ter preconceito com o que é errado, tentando os acertos? Seria o mesmo que o indivíduo afirmar que 1+1=3, e alguém omitisse para tal, a informação correta. É o caso, por exemplo, de um professor de matemática designado para tal, que não o ensinasse que o correto da resolução são 2 e não 3.

Estas e outras indagações que serão discorridas, encontram amparo contraditório e eficazmente argumentado e sugerido, com base na sóbria visão da realidade, na obra de Dalrymple (2015) que, por exemplo, na temática sobre “O Cruel Efeito de Não Incutir os Preconceitos Corretos” (DALRYMPLE, 2015, p.43-45), fala de maneira geral sobre o assunto, abordando sobre o fato específico de garotas adolescentes que engravidam, para sanar um vazio que precisa ser preenchido em suas vidas, como algo capaz de modificar toda a sua estrutura. Isto com decisões infantis e sem orientações devidamente preconceituosas no bom sentido, para inculcar-lhes valores morais e de vida. Mas, trazendo para o assunto em debate, e utilizando da conclusão de Dalrymple (2015, p.45) neste capítulo, para rebater Bagno (2002) no questionamento sobre as correções gramaticais: Não teria sido melhor, tanto para o indivíduo quanto para o mundo em geral, se lhe tivessem incutido, desde cedo, um preconceito bom que lhe dissesse que é preciso estudar bem a língua e suas regras, para se relacionar melhor com as diversas pessoas e com as situações ao seu redor e, até profissionalmente obter uma ascensão; do que incutir de fato o sentimento de uma eterna incapacidade? Fala-se de forma muito truculenta na atualidade sobre a igualdade, mas parece que com a língua, o ensino, dentre outros assuntos relevantes, a retórica é inversa.

Serão tratados alguns pontos principais de destaque de ambas as obras, com comparações críticas e sugestivas de reparos nas falácias retóricas de Bagno (2002), utilizando-se os estudos mais imparciais de Theodore Dalrymple (2015), o qual expõe e motiva a geração da necessidade de se pensar e pesquisar diversamente, a temática do preconceito. 


Existe um sentido em que isso se torna perfeitamente válido, é claro. Um ambiente científico no qual não fosse permitido qualquer desacordo, onde (por exemplo) todos fossem obrigados a concordar com uma doutrina oficial mesmo no tocante à menor das questões, esse não seria um ambiente de ciência no qual muitos avanços pudessem ser feitos.  (DALRYMPLE, 2015, p. 61)

 

2.                  UMA BREVE BIOGRAFIA DOS REFERIDOS AUTORES E SUAS OBRAS

Antes de abordar de forma crítica, as obras em si, é necessário que se conheça um pouco da biografia dos dois autores:

Marcos Bagno, nascido em 21 de agosto de 1961, em Cataguases, no estado de Minas Gerais, segundo a biografia e obras descritas em seu blog (BAGNO, 2013, s.p), é Doutor em Filologia e em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo, atuando como Docente da Universidade de Brasília no Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução, assim como, tradutor e escritor com variados prêmios e aproximadamente 30 títulos publicados, entre temas de literatura e livros técnico-didáticos. São algumas de suas obras: A invenção das horas (contos); O papel roxo da maçã (infantil); Rua da Soledade (contos); A Língua de Eulália (novela sociolinguística); Pesquisa na escola: o que é, como se faz; Preconceito linguístico: o que é, como se faz; Dramática da língua portuguesa: tradição gramatical, mídia & exclusão social; Português ou brasileiro? Um convite à pesquisa; Norma linguística (org.); Linguística da norma (org.); Língua materna: letramento, variação & ensino (org.); O espelho dos nomes (infantil); A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira; Murucututu, a coruja grande da noite (infantil); Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística; Não é errado falar assim! Em defesa do português brasileiro; As caraminholas de Barrigapé (infantil); Vaganau (poesia); Gramática: passado, presente e futuro; Gramática, pra que te quero? Os conhecimentos linguísticos nos livros didáticos de português; Festa no meu jardim (infantil); O tempo escapou do relógio (infantil); As memórias de Eugênia (romance); Gramática pedagógica do português brasileiro; Conversa de gatos (infantil); Gramática de bolso do português brasileiro; Sete erros aos quatro ventos: a variação no ensino de português; Marcéu (infantil).  Dentre seus temas de estudos e trabalhos, de forma mais específica, Bagno (2013) atua na área de sociolinguística e da literatura infanto-juvenil, assim como em assuntos pedagógicos acerca do ensino da língua portuguesa brasileira. No ano de 2012, recebeu o Prêmio Jabuti, com sua obra As memórias de Eugênia.

Discorrendo acerca de sua biografia, percebe-se que a linha de boa parte de seus escritos, têm um fundo de protesto revolucionário e preconceituoso contra o uso da norma culta da língua portuguesa que é a oficial no Brasil. O que já se confirma, quando Dalrymple (2015) em seu sétimo ensaio diz que: “Um Preconceito Sempre Será Substituído por Outro” (DALRYMPLE, 2015, p.39-42), o qual se pode notar claramente na obra de Bagno (2002). É um acontecimento enfático quando este, substitui o preconceito contra as incorreções gramaticais, pelo preconceito contra a norma culta. “Na verdade, implica inculcar outro preconceito” (DALRYMPLE, 2015, p.39). Quando este, relata sobre pesquisas realizadas com adolescentes que decidiram ter bebê, entrevistadas pela Fundação Joseph Rowntree, confirmando assim que:  “Podemos imaginar se não teria sido melhor para o seu futuro não ter crescido num lugar onde havia um preconceito social contra a educação, em vez de o inverso” (DALRYMPLE, 2015, p.40). Infere-se então, que Bagno (2002) em boa parte de suas obras, insinua certo preconceito contra o modelo tradicional de ensino.

Enquanto isso, Theodore Dalrymple, um dos pseudônimos adotados pelo psiquiatra inglês Anthony Daniels, que nasceu em 11 de outubro de 1949, na cidade de Londres, na Inglaterra; além de médico, é ensaísta, atuando em quatro continentes e, até 2005 no Hospital da Cidade de Birgmingham na Inglaterra, assim como, no Winson Green Prison, na mesma cidade. Escritor que atua no City Journal, que o Manhattan Institute publica, assim como, em outras publicações como o The British Medical Journal, The Times, The Observer, The Daily Telegraph, The Spectator, The Salisbury Review, National Review e Axess. Dentre suas obras publicadas, estão a Vida na Sarjeta – O Círculo vicioso da Miséria Moral, Nossa Cultura...Ou o que Restou Dela e Podre de Mimada – As Consequências do Sentimentalismo Tóxico, ambas editadas pela mesma editora: É Realizações, conforme relatado no verso da contracapa da obra e no prefácio de seu livro por Reinaldo Azevedo (DALRYMPLE, 2015, p.9-10). Ainda na descrição do trabalho e da vida de Dalrymple (2015), aquele, relata que as obras deste, assim como as de outros autores que, pelo obscuro mundo do politicamente correto, são banidos do mundo das referências; esta Editora por sua vez, sabiamente dá a oportunidade de publicá-los, tornando-os conhecidos.

Sobre esta obra aqui analisada, Reinaldo Azevedo ainda relata que, as experiências de Dalrymple (2015, p.10) no ramo da psiquiatria, o fez conhecer profundamente a face miserável da dor da existência humana, tanto na Inglaterra quanto em alguns países Africanos nos quais, os indivíduos têm sua vivência aproximada da margem do sistema de produção.

Dalrymple (2015, p.10), ainda faz indagações e discorre em seus textos, percepções, releituras e provocações, assim como, discorre sobre as deformidades que são geradas “pelas generosidades viciantes do estado contemporâneo”. Portanto, um confronto com as ideais preconcebidas de Bagno (2002), acerca do preconceito linguístico e suas facetas.

 

3.                  UM DIÁLOGO LÓGICO, ENSAÍSTICO, COMPARATIVO E CRÍTICO ENTRE AS FUNDAMENTAIS PROPOSTAS DAS OBRAS


O autor Marcos Bagno apresenta o livro Preconceito Linguístico: O que é, como se faz em suas Primeiras palavras (Bagno, 2002, p.9-12); e em seguida, trata das temáticas acerca da Mitologia do Preconceito Linguístico; do Círculo Vicioso do Preconceito Linguístico; da Desconstrução do Preconceito Linguístico; e por fim, do Preconceito Contra a Linguística e os Linguistas.

Em contrapartida, Theodore Dalrymple (2015) defende em seus 29 ensaios, sobre os temas O preconceito é um equívoco, portanto, a sua inexistência é um acerto; Os empregos do ceticismo metafísico; A história nos diz aquilo que queremos ouvir; Por que preferimos ver os desastres da história às suas realizações; O efeito de uma pedagogia não preconceituosa; Preconceito necessário para a vida em família; Um preconceito sempre será substituído por outro; O cruel efeito de não incutir os preconceitos certos; A inevitabilidade do preconceito; O convencionalismo dos transgressores; A supervalorização da racionalidade nas escolhas; Autoridade como necessária para a acumulação de conhecimento; A igualdade de todas as opiniões, desde que sejam as suas; Costume descartado por ser costume; Como a leitura parcial de Mill leva ao egoísmo ilimitado; A dificuldade de se fundar uma decência comum baseada em princípios primeiros; A lei da conservação da justa indignação e sua conexão com a expansão dos direitos humanos; O paradoxo do individualismo radical que conduz ao autoritarismo; Discriminação Racial (por ser ruim) implicará à nocividade de toda discriminação; A rejeição do preconceito não é boa em si mesma; A impossibilidade da mente como folha em branco; O ideal de igualdade de oportunidades como conceito necessário para um mundo sem preconceito; A igualdade de oportunidades é inerentemente totalitária; A completa rejeição da autoridade é egoísmo; Preconceito, um requerimento da benevolência; Os terríveis efeitos sociais ao se abandonar certos preconceitos; A inevitabilidade de mandamentos dos quais uma justificação não pode ser provada; Mesmo na ausência de princípios metafísicos inatacáveis o exercício do julgamento é inevitável, portanto os preconceitos são necessários e salutares; e, Sem preconceito não há virtude. Temáticas estas que, Dalrymple (2015), organizou nesta sequência, na obra Em defesa do preconceito: a necessidade de se ter ideias preconcebidas e muito bem prefaciada por Reinaldo Azevedo. Obra baseada em pesquisas que se debruçam, conforme consta em sua contracapa sobre o fato de que “É necessário ter bom senso para saber quando um preconceito deve ou não ser abandonado”. Bom senso este que na sociedade atual, tem sido juntamente com preconceitos bons e com preconceitos ruins, banalizados e deixados fora de contexto. E que retoricamente, têm colocado inclusive a linguagem como alvo fácil, para um certo tipo de degradação social e cultural, travestida de algo que é bom.

Ora, diante da atual realidade mundial, neste ano de 2020 com a pandemia do novo Coronavírus, alastrou-se ainda mais o cenário das desigualdades sociais. Inclusive fortificando e/o criando influências errôneas nas linguagens, em que por exemplo, algumas pessoas que não querem se encaixar no mundo, mas ao invés disso, querem que o mundo se encaixe em seus pensamentos; criam uma tal linguagem neutra ou não-binária totalmente estranha à harmonia da nossa língua, a qual está sendo atualmente disseminada de diversas formas. É sabido, portanto que, historicamente construído na passagem do latim para o português, onde aquele tinha o gênero masculino, o feminino e o neutro, convencionou-se que neste, o neutro seria no gênero masculino, conforme explica a professora de Língua Portuguesa, Cíntia Chagas, no vídeo do Canal do Youtube da Professora de História e Deputada Estadual de Santa Catarina, Ana Campagnolo (2020), que afirma esta ocorrência linguística. Além de explicitar outras graves consequências à sociedade, que como diz: “que mais exclui do que inclui”. Exemplo disso, seria o prejuízo à sociedade surda ou cega, ou seja, uma deturpação perigosa e danosa do idioma. Isto quer dizer que, conforme citado pela Professora Cíntia, se uma pessoa discursando diz: “Boa Noite a todos e a todas! ”, está sendo redundante, uma vez que a palavra: todos, já engloba o gênero feminino também. E ainda afirma que, esta mudança pedida por certos grupos, linguisticamente não faz o menor sentido; até por que, muitas palavras na língua portuguesa que estão no gênero feminino, também se referem ao gênero masculino, por exemplo: dentista e vítima.  

Pode-se verificar inclusive, as diferenças de adaptação no ensino das escolas públicas e privadas; onde a qualidade do ensino público decaiu mais ainda. E que podemos constatar que, com a ocorrência pandêmica e as consequentes mudanças de rotinas dentro de nossos lares, as crianças e os adolescentes vivem com um grande déficit no aprendizado; o que tem influenciado diretamente na cognição, aprendizado e desenvolvimento. Visto que nem todos os pais e/ou responsáveis, podem estar e ter controle sobre o que está sendo ensinado remotamente e, ainda, cobrar um estudo melhor tanto dos alunos, quanto das escolas, pelas dificuldades das diversas situações cotidianas. E é neste momento que entram as doutrinações ideológicas, e que os estudos eficazes vão sendo deixados de lado, em sua grande maioria.

E diante deste cenário, mesmo com essa precariedade, os governos insistem em passá-los para o próximo ano letivo subsequente, sem um preparo de qualidade para tal. Questiona-se então: Como este ano letivo inapropriadamente aplicado por grande parte da rede pública de ensino no Brasil, sem o sério compromisso governamental e de boa parte das escolas e de certos professores desta mesma rede, não afundará em um abismo ainda mais profundo de desigualdades, dos que deles dependem? E consequentemente, como não ter um preconceito contra este sistema que quer nivelar por baixo boa parcela da população? 

Podemos observar que na organização das diversas sociedades, foi e sempre será necessário estar em constante processo de evolução e aprendizado; e não de estagnação e/ou retrocesso. O que ocorre também com as línguas e suas consequentes escritas, que durante a história da humanidade, foram se firmando para que a população se comunicasse e se entendesse melhor. É difícil, por exemplo, um falante nativo de português manter um diálogo com um nativo alemão, por que ambos, desconhecem as regras de linguagem um do outro; exigindo-se assim, estudos aprofundados para que isso aconteça. O que obviamente é muito natural, incluindo o fato de que terá alguém ensinando e outro aprendendo.

 Ao considerarmos um país de proporções continentais, com falantes de um mesmo idioma oficial, é necessário ter a base da língua aprendida, para que ocorra a comunicação eficaz, independente do lugar do território. Bagno (2002, p.9), inicia suas Primeiras palavras dizendo que, os gramáticos tradicionalistas estudam a língua como uma “coisa morta” e que não “levam em consideração as pessoas vivas que a falam”. Ora, não é devido à vivacidade da língua, mesmo com a inclusão dos regionalismos decorrentes da variação linguística, advindos inclusive das diversas colonizações, que nós interagimos? Até por que, sem o padrão da língua usado eficazmente, como organizaríamos as estruturas frasais, por exemplo, para entendermos o que o outro indivíduo deseja nos comunicar? Seria em uma frase sem concordâncias verbais e/ou nominais?

É perceptível que Bagno (2002) tenta distorcer a beleza e acima de tudo a utilidade da língua oficial, tentando gerar na grande massa populacional, o sentimento de inutilidade; de um preconceito ruim desta que, na realidade é extremamente necessária para as diversas convivências no cotidiano das pessoas. Sobre este tipo de comportamento, Dalrymple diz que, “Temos então aquilo que alguém poderia chamar de argumento de massa. Desde que feito também por um número suficientemente grande de pessoas, aquilo que elas fazem estará garantido como certo”. (DALRYMPLE, 2015, p.47)

Bagno diz que homenageou seus sogros no livro, pelo fato de que eles são “um prato cheio”, para abordar o que ele chama de principais preconceitos em vigor na sociedade: “negros, nordestinos, pobres, analfabetos”. E pede, para que os leitores e leitoras façam uma meditação sobre a situação que tanto o angustia: “homenagear com um livro pessoas que jamais poderão lê-lo” (BAGNO, 2002, p.12). Ora, não é verídico que todas as pessoas negras, nordestinas e pobres, sejam analfabetas e que estes, não possam aprender a ler. Nota-se que o fato dele fazer essa classificação, já seja um preconceito ruim. Por isso, concordar com esse absolutismo ideológico é insano pois, qualquer ser humano que se esforce (independentemente da posição social, raça e cor), pode alcançar seus sonhos, inclusive profissionais e de bem se comunicar com toda a sociedade.

Para que isto aconteça de fato, é preciso que o Estado também cumpra o dever de dar um ensino de qualidade para que todos que dependam de suas ações tenham as mesmas oportunidades, o que garantirá, além do que consta na Constituição Federal, no inciso VII do artigo 206 que diz: “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (...) Garantia de padrão de qualidade” (SENADO FEDERAL, s.d), em que cada indivíduo lute e conquiste seu espaço de forma livre, tenha uma qualidade verdadeira. Afinal de contas, estes que hoje se encontram à margem, como ele os coloca no decorrer da obra, querem permanecer sem ler e se desenvolverem, ou gostariam de uma vida diferente, com um padrão de ensino de qualidade que lhes abrissem às melhores oportunidades?  

Em contrapartida chocando-se com essa afirmação categórica de Bagno (2002), conforme prefacia Reinaldo Azevedo, em que Dalrymple (2015) discorre acerca da “estupidez da xenofobia, da misoginia e do racismo, entre outros medos, ódios e estereótipos negativos” (DALRYMPLE, 2015, p.10), afirma, ao contrário, que na sociedade mundial atual, se transformaram em preconceitos infundados. E que vêm fazendo com que boa parte dos indivíduos na contemporaneidade vivam estressados, vitimizados de forma cativa, desconfiados e muitas vezes, conformados; mesmo com essa falta de lógica, de historicidade e de uma filosofia coesa com a realidade. O que Dalrymple (2015) quer dizer, é que conforme se percebe, o ódio, o desprezo, a depreciação ou a discriminação a um indivíduo em razão de suas características de raça, hoje, parece ser o pior das maldades.  

Ainda sobre este ponto, podemos complementar com o exemplo de dois grandes escritores brasileiros que não se vitimizaram, frente às suas condições sociais e de raça, mas que cumpriram com audácia e determinação seus objetivos; conforme relata em uma breve biografia de ambos, respectivamente por Frazão (2019) e Frazão (2020): Lima Barreto (1881-1922) e João da Cruz e Souza (1861-1898).

É o que sabiamente também descreve Dalrymple (2015, p.48),


(...)Um resultado negativo não será absolutamente inevitável, uma vez que quando se trata de assuntos humanos, raramente temos uma correspondência estritamente unívoca entre decisões ou eventos e seus resultados.(...)Quando um escritor se senta para escrever um romance, ele deve estar ciente de que suas chances de escrever um clássico, uma obra que sobreviverá às poucas semanas depois de sua publicação, de se juntar a Flaubert e Tolstói, são infinitesimais, mas nem por isso se condena a aposta. Da mesma forma, a mãe solteira adolescente pode apelar ao fato de que ela é um indivíduo e não apenas um membro de uma classe de pessoas.

 

O que acontece no Brasil, é que autores e influenciadores retoricamente doutrinários insistem como Bagno (2002), em querer inculcar que certas culturas e raças são piores que outras e tiram toda a esperança de uma vida mais próspera; como se cada um não tivesse uma individualidade e tivessem que viver de fato, como uma grande massa.

 Quando se fala de variação linguística, devemos ter um olhar que tal acontecimento se dá, devido à grande diversidade de imigrações que influenciaram a língua portuguesa no Brasil, adquirida na colonização de nossas terras pelos portugueses, conforme sabido pelos fatos históricos que conhecemos de várias maneiras e, daí advêm inclusive os sotaques. Um regionalismo, portanto, não é melhor ou pior do que o outro, cada um tem sua beleza cultural própria.

Sobre a “mitologia do preconceito linguístico” (BAGNO, 2002, p. 13), cita a influência das diversas mídias para proliferar os diversos preconceitos, principalmente o linguístico. Neste ponto, há de se concordar, mas de forma parcial. Por que de fato, estes meios assim como outros, incentivam uma discriminação que não deveria nos dividir. A partir do momento em que se usa fatores como a cor da pele da pessoa, para dizer que ela não tem as capacidades que outras têm, é, portanto, preconceito, ou, classificaria melhor como racismo, o que de fato, é abominável.

Acrescenta que a gramática normativa e os livros didáticos são preconceituosos; que dizem o que é “certo” e o que é “errado” (BAGNO, 2002, p. 13). Questiona-se então: para que ter aulas de Língua Portuguesa, se um professor, não deve ensinar os elementos e as estruturas que compõem a língua corretamente? Para que disciplinas na faculdade de Licenciatura em Letras Português como Sintaxe e Morfologia, se não serão devidamente usadas com os alunos em sala de aula? Para que disciplinas de Literatura, se não os ensinar a ler corretamente os livros? É muito incoerente sob o ponto de vista no mínimo racional.

Sobre a unidade da língua no Brasil, este mito também é discutível, uma vez que apesar de falarmos a língua portuguesa, como já dito acima com as variações regionais, ela é sim uma língua comum para todos nós. É por isso, que se consegue ir do Norte ao Sul do país e se comunicar com as diversas culturas, com um bom entendimento da linguagem, apesar dos sotaques. O fato é que, se os responsáveis pelo ensino público, se empenhassem em dar estudos aproveitáveis para a vida intelectual dos alunos, todos teriam a capacidade de ler o texto da Constituição que é para toda a Nação, oposto ao que Bagno (2002, p. 17) insinua.

Também diz que habitualmente vivemos um “complexo de inferioridade” (BAGNO, 2002, p.20) em relação ao português falado em Portugal; bem, podemos dizer que o que se diz de forma pura da língua, é o fato de como ela chegou até aqui. Mas que foi sendo adaptada regionalmente, pelo tempo, como já foi dito. Porém, temos um acordo ortográfico vigente desde 2009 aqui no Brasil, que padroniza a língua portuguesa, para interagirmos melhor, inclusive se for preciso, com os outros países falantes. Por isso, é de se discordar quando ele diz que só falamos português, “simplesmente por comodidade” (BAGNO, 2002, p.24).  Ainda faz a seguinte afirmação acerca das grandes diferenças nas línguas faladas em Portugal e no Brasil: “(...) os pronomes o/a, de construções como “eu o vi” e “eu a conheço”, estão praticamente extintos no português falado no Brasil, ao passo que, no de Portugal, continuam firmes e fortes” (BAGNO, 2002, p.24). E completa em seguida, que são pronomes nunca usados por crianças brasileiras, nem por brasileiros não-alfabetizados e que têm uma ocorrência baixa de uso na fala de pessoas cultas. Ora, se aprendemos na escola, o que não precisamos utilizar na vida cotidiana, para que ser ofertada no currículo e cobrada em exames, inclusive nacionais?

É verdade que não precisamos sempre decorar regras, mas precisamos sim, aprendê-las e saber como usá-las. É muito retórico, tentar convencer-nos de que o que aprendemos na escola, não usaremos no nosso cotidiano. Apesar das muitas regras, assim como todas as outras no mundo, elas precisam ser não só aprendidas, como também, vivenciadas; ou viveremos numa completa e frustrante anarquia linguística, como parece que já está se tentando instalar mais ferozmente na atualidade. Além do mais, se a pessoa fala “chicrete”, por conta do seu nível social, possivelmente não teve a ajuda de um professor preconceituoso ou acesso a uma escola preconceituosa para com o errado e, este indivíduo pudesse vir a pronunciar a palavra como ela é.

Não é plausível também, acreditar no mito de que no Maranhão é o lugar que se fala melhor o português; porém, culturalmente, mantiveram as pronúncias como lhes foram ensinadas e que perduram até hoje, assim como em outros locais do país.

É incoerente também, pensar que não precisamos falar o que escrevemos. Para que então, existe a escrita? Existem, como bem sabemos, particularidades dos modos de fala (como o uai dos mineiros); mas não se deve negligenciar o ensino e a indicação da incorreção gramatical, quando necessária, para bem usufruir da língua. Se o uso da gramática para falar e escrever bem não é necessário, então por que para se publicar livros incluindo este de Bagno (2002), precisou de correções gramaticais para que entendêssemos a leitura?

Não é verídico que a gramática está fora do nosso cotidiano; e que, se há interação linguística, é por que ela existe e nos abre às diversas variedades, sendo um instrumento de ascensão social pois, tira as pessoas da faixa discriminatória. Bagno ainda questiona: “será que doando a língua a um indivíduo das classes ele vai, automaticamente, tornar-se um patrão? ” (BAGNO, 2002, p.71). É óbvio que não automaticamente, mas, falando de forma padronizada, ele terá mais chances do que o outro que não usa a língua padrão. É o que Dalrymple (2015) argumenta em uma situação análoga, porém contraditoriamente à esta ideia de que as massas estão fadadas até o fim ao fracasso, à impossibilidade de ler e escrever de forma padronizada:

 (...)culparão o insuficiente amparo social que receberam, ou o preconceito residual da elite contra crianças nascidas dessa forma; elas podem (com alguma justiça) denunciar as miseráveis escolas que os seus filhos frequentam, o que os impediria de receber inclusive uma educação básica, que é o pré-requisito para desenvolvimentos pessoais posteriores. (DALRYMPLE, 2015, p.49)


Bagno (2002, p.73) ao comparar o círculo vicioso do preconceito linguístico com a Santíssima Trindade, ao contrário de suas escusas; explicitou um comentário desrespeitoso e intolerante; porém, em contrapartida, uma base firme para se dizer que pelo fato dela ser O Mistério necessário para a vivência cristã, a tradição também o é. E se os métodos tradicionais de ensino são um círculo vicioso, por que deu tão certo antigamente? Afinal, grandes escritores e pensadores antigos que conhecemos (pobres e ricos), foram ensinados assim e fizeram a diferença na história da humanidade.

Mas, aproveitando o tema Santíssima Trindade, falaremos sobre virtudes. Theodore Dalrymple (2015, p.17-18), fala sobre a criação de uma atmosfera moral que frente a enunciações simples, de sentimentos cheios de virtudes e com a renúncia de situações consideradas cruéis; ao se adquirir corpo, poderia se tornar a virtude em si mesma e se confundir com esta. Ora, pode-se claramente ver na proposta de reconhecimento do preconceito linguístico na obra de Bagno (2002), que se exala retoricamente este sentimento da virtude. Isto quer dizer que, há a conformação de se falar como quer, sem seguir padrões oficiais de linguagens. Porém, não há a valorização real do ensino e do aprendizado da língua padrão nativa, a qual por ventura, há tantos anos é a virtude propriamente dita. Bagno (2002) coloca como se a virtude ideal de comportamento dos falantes nativos da língua portuguesa brasileira, fosse essa anarquia linguística por ele proposta.

Ainda sobre a virtude, finalizando sua obra, Dalrymple, com maestria discorre sobre o fato de que “Sem Preconceito Não Há Virtudes” (DALRYMPLE, 2015, p.135-138) e ainda, sobre a tentativa de simular outra situação e/ou discurso que, no entanto, gera deformidade no caráter humano. Deduz então com o seguinte silogismo: “A distinção entre o bem e o mal é, ao mesmo tempo, inevitável e necessária para o exercício da virtude” logo, “A distinção entre o bem e o mal se baseia em preconceito. Portanto, o preconceito é necessário para o exercício da virtude. ” (DALRYMPLE,2015, p.135).

 E em resposta ao questionamento de Bagno (2002, p. 15): “Mas o que é e onde está a norma culta? ” A resposta mais coerente é que: deveria estar igualmente nas escolas públicas assim como está nas escolas privadas e em todos os setores da sociedade sem discriminação, para transformar o povo brasileiro em uma massa pensante; o que de fato é perceptível que, os governos passados e presentes já deixaram bem claro que não o querem.

É de se questionar também: Será que essas pessoas pouco privilegiadas, desejam continuar andando a pé para chegarem aos seus trabalhos ou em ônibus lotados, ou gostariam de aumentar as suas possibilidades de ter um conforto maior para se locomoverem? Nota-se, portanto, que a hipocrisia e o “festival de asneiras” (BAGNO, 2002, p.83), foram escritos nas linhas desta obra. Inclusive na comparação incoerente que faz dos professores de outras disciplinas, ensinarem coisas absurdas, assim como o professor de português, ensinar substantivo (BAGNO, p. 147 e 148). Ora, sendo assim, se os passos a seguir, forem as ideias e pensamentos dele, é bom que estudantes de Letras Português tranquem suas Licenciaturas imediatamente!

 4.       CONSIDERAÇÕES FINAIS


“As possibilidades e recursos de qualquer laboratório, não importa o quão bem-dotado sejam, serão finitas. Sempre será preciso escolher entre linhas de pesquisa concorrentes, geralmente com base em uma intuição sobre qual será a linha que se mostrará mais proveitosa” (DALRYMPLE, 2015, p. 61-62)

Pensando nestes e em outros questionamentos, que foram discorridos nas linhas deste artigo, diante do cenário contemporâneo mundial, gerador de muitos falsos e sedutores discursos que estão astuciosamente fadigando a população de grande parte do mundo; a escolha pelo laboratório de Dalrymple (2015), foi muito mais sensato de acordo com a realidade, para rebater as teorias criadas no laboratório de Bagno (2002).

Isto para que sejam desconstruídos os eventos absurdamente ideológicos e tendenciosos que tiram toda a propriedade do que é certo e coerente; para aquilo que é errado e incoerente, sob o ponto de vista, moral, social e cultural, travestida de algo que é bom e eficaz, como expõe Bagno (2002) no decorrer de sua obra.

Dalrymple (2015, p.18-19) sabiamente discorre, sobre pressão social em pessoas com boas intenções, que não podem ter uma opinião com bons preconceitos pois, automaticamente sofrem diversos danos, muitas vezes catastróficos, por serem julgados erroneamente como xenofóbico, por exemplo, e que, “portanto, é melhor engolir em seco os próprios preconceitos do que os admitir em público”. (DALRYMPLE, p.19) O que não é o caso deste artigo, que foi investido na tentativa de desmascarar este perigoso engano contra a sociedade.

Também, este mesmo autor desdobra em toda a sua obra, sobre as ideias errôneas que são marteladas na sociedade acerca do verdadeiro sentido do preconceito e que convidam de forma truculenta, os indivíduos contemporâneos a deixar de lado as ideias preconcebidas que colocam certa ordem na sociedade, como é o caso do uso correto da linguagem que Bagno (2002) tenta descaracterizar. Isto para que o mundo viva uma cultura de ódio, de divisão, com as oportunidades descaradamente minimizadas e estigmatizadas nas mentes das massas manipuladas, que são mergulhadas no caos de uma aparente anarquia desmedida.

É inevitável, portanto, a utilidade social do bom preconceito conforme aqui foi discorrido e amparado por ensaios da realidade transcorridos por Dalrymple (2015), ou seja, de ideias (pré) concebidas de valores linguísticos, morais, religiosos, dentre outros, para que a sociedade tenha uma verdadeira evolução em seu desenvolvimento humano. Além de uma verdadeira igualdade no sentido de oportunidades para alcançarem seus sonhos individuais como desejam e não como outros querem, ao tentar limitá-los aos conhecimentos prévios que carregam, se esgotando somente ali.

Poder-se-ia fazer uma análise mais minuciosa e comparativa das mencionadas obras. Porém, utilizando dos pontos mais relevantes para fundamentar algo mais próximo do real, em oposição aos argumentos falaciosos de Marcos Bagno (2002), as análises de Theodore Dalrymple (2015), foram inteiramente satisfatórias para defender a situação verídica do preconceito, com um foco maior na questão linguística.

Se as sociedades, e aqui enfatizando-se a brasileira, vivessem e respeitassem valores preconcebidos ou melhor: preconceituosos, viveríamos em ambientes mais ordeiros.

Por fim, este artigo aqui se encerra, levando-nos a refletir e a questionar sobre a seguinte colocação:


Temos que ter, ao mesmo tempo, confiança e discernimento para pensarmos logicamente a respeito de nossas crenças herdadas, e a humildade para reconhecermos que o mundo não começou conosco, e tampouco terminará conosco, e que a sabedoria acumulada da humanidade é muito maior do que qualquer coisa que podemos alcançar de forma independente. A expectativa, o desejo e a pretensão de que podemos sair nus no mundo, libertos de todos os preconceitos e preconcepções, de modo que toda situação se apresente como algo completamente novo para nós, são em igual medida atitudes tolas, perigosas e nefastas. (DALRYMPLE, 2015, p. 137)

 

REFERÊNCIAS:

BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico. O que é, como se faz. 16ª ed., São Paulo: Loyola, 2002.

BAGNO, Marcos. Quem é Marcos Bagno. Biografia. Obras. In: Wordpress.com. Marcos Bagno - Escritor – Tradutor – Linguista. 2013. Disponível em: <https://marcosbagno.wordpress.com/sobre/>. Acesso em: 10 dez. 2020.

CAMPAGNOLO, Ana Caroline. Youtube. Dep. Ana Campagnolo. Linguagem Neutra: Deturpação do Idioma. 24 nov. 2020. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0U8csWOzFUA>. Acesso em: 17 dez. 2020.

DALRYMPLE, Theodore, 1949. Em Defesa do Preconceito: a necessidade de se ter ideias preconcebidas. Tradução por Maurício G. Righi. 1. ed. 144p. São Paulo: É Realizações, 2015.

SENADO FEDERAL. Constituição Federal da República Federativa do Brasil, 1988. Atividade legislativa. Título VIII – Da ordem social. Capítulo III. Da Educação, da Cultura e do Desporto. Seção I - Da Educação. [s.d] Disponível em: <https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_12.07.2016/art_206_.asp>. Acesso em: 14 dez. 2020.

FRAZÃO, Dilva. Lima Barreto. Escritor e Jornalista. 09 ago. 2019. Disponível em: <https://www.ebiografia.com/lima_barreto/>. Acesso em: 17 dez. 2020.

FRAZÃO, Dilva. Cruz e Sousa. Poeta Brasileiro. 06 mar. 2020. Disponível em: <https://www.ebiografia.com/cruz_e_sousa/>. Acesso em: 17 dez. 2020.