"Conhecereis a VERDADE, e a VERDADE vos libertará."(Jo 08, 32)
É conhecendo a verdade, que encontramos a luz que nos tira do profundo abismo das trevas da escuridão; aquela que somente ela pode nos firmar em modos de viver mais coerentes, coesos, plenos.
Esta obra, é um trecho tirado da Obra "A República" e, conforme sinopse, talvez um dos clássicos mais lidos de todos os tempos, o qual nos convida à uma reflexão constante e permanente sobre a nossa existência
Ao lê-la e refletir sobre o que Platão expõe acerca do diálogo entre a sabedoria de Sócrates e Gláucon; confirmou ainda mais as certezas que habitam em mim, em meus pensamentos e nas tentativas das minhas ações de não mais voltar para a escuridão da caverna. Também firma a certeza de Quem encontro na Luz...
Sócrates: Em seguida compara o efeito da educação e da sua falta na nossa natureza, a uma experiência como a seguinte: imagina seres humanos habitando uma espécie de caverna subterrânea, com uma longa entrada acima aberta para a luz e tão larga como a própria caverna. Estão ali desde a infância, fixados no mesmo lugar, com pescoços e pernas sob grilhões, unicamente capazes de ver à frente, visto que seus grilhões os impedem de virar suas cabeças. Imagina também a luz de uma fogueira acesa a certa distância, acima e atrás deles, porém num terreno mais elevado, há uma vereda que se estende entre eles e a fogueira. Imagina que foi construído ao longo dessa vereda um muro baixo, como o anteparo diante de manipuladores de marionetes acima do qual, eles os exibem. (PLATÃO, 2015, p.9)
Este é o cenário sobre o qual, Sócrates se utiliza de forma figurativa, para desenvolver seus pensamentos e ensinamentos com a finalidade de inserir Gláucon (irmão de Platão) no ingressar, interagir, pensar e agir, frente à realidade da má, da boa e da autoeducação.
A narração após a ambientação, inicia-se com Sócrates explanando como vivem essas pessoas dentro desta escura caverna, onde muitos inclusive, estão desde a infância. Estes, sendo manipulados por outros, como marionetes. Estão acorrentados e mal podem se movimentar, assim como, não conseguem acreditar que existe a verdade, aquela que é longe de ser aquilo que os cegam e que em suas vidas são colocadas como insanas e falsas verdades. Enxergam somente aquilo que seu olhar consegue alcançar pelas sombras reproduzidas.
Sócrates então faz a seguinte consideração:
[...]de que caráter seria a libertação dessas correntes e a cura dessa ignorância se algo assim acontecesse: quando um deles fosse libertado e subitamente obrigado a se levantar, virar a cabeça, caminhar e - erguendo o olhar - fitar a luz, experimentaria dor devido à ofuscação da vista e ficaria incapacitado para ver as coisas cujas sombras vira antes. O que achas que ele diria se nós lhe disséssemos que o que vira antes era tudo uma ilusão, mas que agora, estando ele mais próximo da realidade e voltando para coisas mais reais, ele vê mais verdadeiramente? (Ibid., p.11-12)
Ora, parece que neste momento em que luz e trevas se encontram na alma, ou seja, no mais profundo do ser dos indivíduos que passam por esta experiência; acontece o momento do espanto, de não conseguir lidar a princípio, com a verdade que antes lhe era ocultada e/ou distorcida; para o difícil "acostumar" e aprenda a conviver com a luz. Sócrates narra um processo de confusão ao se viver a experiência do encontro com a realidade e sua (muitas vezes) dolorosa aceitação e consequente mudança para uma vida de maior paz e plenitude, com o adaptar, com o tempo.
No entanto, também relata os prejuízos que podem acontecer, ao cair novamente na escuridão da caverna. Parece que, Sócrates cumpre um papel de condução à descoberta de um caminho verdadeiro e dar dicas de como nele permanecer, para que não se caia no abismo das trevas de uma escura caverna, e de nela permanecer.
É de fácil notoriedade hoje, em pleno século XXI, que a cada dia que passa, boa parte da humanidade permanece presa nesta caverna, parece que levando muitos à morte tanto espiritual, quanto física e psicológica.
Muitos têm se deixado levar por uma vida fútil, vazia, manipulada, superficial, onde parece que dormem um sono mortal em suas almas. Muitos até, vivendo de forma voraz, as diversas corrupções dispostas no cotidiano. Uma literatura escrita há alguns milhares de anos e que parece surtir efeito plenamente eficaz no mundo atual. Uma busca desenfreada pela autossatisfação, que em grande parte, atropela quem passar pela frente.
Exemplo disso, cito um trecho em que quando se lê, a compreensão se torna mais real pois que é latente em nosso meio:
É assim que é. Se puderes descobrir uma forma de vida que para os governantes vindouros, seja melhor do que governar (do que o próprio poder), teu Estado bem governado se tornará uma possibilidade, por que nele somente os verdadeiramente ricos governarão - não aqueles que são ricos em ouro, mas aqueles que são abastados na riqueza necessária aos felizes, a saber, uma vida boa e sábia. Mas, se mendigos famintos de bens pessoais ingressam na vida pública imbuídos no pensamento de que os bens ali se encontram para que sejam apanhados, então o Estado bem governado seria impossível, pois o governar será objeto de contenção, e esta guerra civil e doméstica destrói essas pessoas e também o resto do Estado. (Ibid., p.24)
É por que vivo neste tempo atual (século XXI), que remeto a minha nação à esta quase "profecia" de Sócrates. Porém, percebo que a humanidade desde os seus primórdios, vive esse estigma e parece só piorar com o passar do tempo.
Existem muitos seres humanos que ao viverem na caverna, pensam ilusoriamente, que estão somente a manipularem outros seres humanos, mas na realidade, também são marionetes de outros, de si, da riqueza, da ganância, do poder e de inumeráveis situações.
Há um questionamento: se tornássemos a viver na luz e por ela lutarmos para permanecer, estaríamos neste caos que nos encontramos?
É necessária uma vida de plenitude que se embasa unicamente na VERDADE. Essa VERDADE é o mistério da Santíssima Trindade: Deus! É nele que o cego enxerga, que o coxo anda, que o possuído de demônios são libertos.
É necessário um olhar de contemplação que nos leve a querer viver com os ensinamentos dos sábios, daqueles que nos deixaram por permissão de Deus, caminhos de perseverança, justiça, honestidade, profundidade nos pensamentos e nos atos. Pois que a tendência hoje, é abolir a tradição que tanto tem a nos ensinar: como é o caso destes gênios gregos! Eles experimentaram! Viram o que era morte e vida e nos transmitiram! Para que fazer experimentos com a morte de novo? A morte da alma... E por que não experimentarmos as experiências boas?
Percebo uma certa "anarquia" nas almas...Triste realidade! Uma geração frágil, que pode se quebrar a qualquer momento, simplesmente por que não quer pensar; por que acolhe as insanidades que lhe são passadas como se fossem saudáveis. Eles ignoram os bons e salutares aprendizados, para viverem infelizes, angustiados, raivosos. Eles acham que a inversão de valores morais, não destruíra pouco a pouco suas vidas....pobre geração, que será, ao que parece, brevemente, engolida uns pelos outros e por maiores deste mundo corrompido.
Platão compilou os vários ensinamentos de Sócrates, parece que numa tentativa de indicar os sensatos caminhos para viver bem consigo e em sociedade. Isto por que, tinham a experiência de lidar com seres que por essência, são racionais..
Leiam, pensem, critiquem, lutem pelo o que vale a pena: a eternidade!
REFERÊNCIAS:
PLATÃO. O mito da caverna. Tradução e notas por: Edson Bini. 78p. São Paulo: Edipro, 2015.
