Breve Pensamento: A legitimidade da história da filosofia

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Ao refletir sobre o contexto da legitimidade da história da filosofia, ao que me parece, é um debate que se estende pelas variadas épocas. Guéroult (p.189), explana sobre a questão do “sentimento ingênuo” de se comparar a filosofia com a ciência, uma vez que na primeira, parece que, não adianta encontrar a verdade, negando-se a herança de grandes pensadores; para que se encontre uma filosofia particular. Ao contrário da segunda, onde o fator empírico vai se atualizando com a história e as experiências cada vez mais exatas.

Na obra Introdução à Filosofia Lógica, ACKER (1932, p.16), paradoxalmente diz que:

Por nossa parte, admitido que a filosofia é crítica dos postulados das sciências particulares, cujos resultados são considerados metódicos e certos, concluímos ser necessária a filosofia como sciência. Porque, se a filosofia tem de criticar o valor dos princípios e métodos pelos quais as sciências particulares alcançam resultados certos, ella há de ser capaz de reconhecer a certeza dos ditos princípios e métodos, sob pena de não serem absolutamente certos os resultados. Ora, para o reconhecimento da certeza desses princípios, é mister que exista a filosofia como sciência.

Entendo que a verdade encontrada através da filosofia, vem de minuciosos pensamentos e estudos refletidos, que encontram respaldos na sabedoria dos antigos, juntamente com os fatos como o são. Um exemplo dado com grande sabedoria e maestria, vem do autor G.K. Chesterton com suas obras. Particularmente, cito uma que aprecio muito que se chama: o “Poeta e os Lunáticos”. Em que o protagonista Gabriel Gale, o qual se encontra em todos os contos da obra, como um poeta e pensador que, ao contrário dos entendimentos dos homens das ciências que se encontram nas cenas dos crimes; consegue desvendá-los com seus mais profundos pensamentos e atenção aos fatos. Enxergando por fim, com a razão sob a verdade adquirida. Assim como, o fato da existência da história da filosofia em que GUÉROULT (p.189) diz: “Não se trata de pesquisar se essa história é possível e legítima, mas – sendo indubitável sua existência como fato dado – como ela é.”

Notei, ao ler este texto, que diante do atual e gritante cenário em boa parte do mundo, entorno da verdade, torna-se necessário e possível, solucionar a questão da legitimidade da história da filosofia: a primeira, ao que me parece, seria não abandonar a filosofia adquirida ao longo da história da humanidade em que por exemplo, Sócrates, Platão e Aristóteles na Grécia Antiga, deram valorosas heranças registradas, que podem ser quase plenamente, utilizadas na atualidade; assim como Santo Tomás de Aquino, no qual o tema da filosofia e da Metafísica, estavam sempre envolto de seus estudos e que deixou também heranças preciosas, assim como, muitos outros que levaram a sério a questão da filosofia. 

A segunda possibilidade, seria a busca da verdade como ela "é". Uma vez que, se há a ausência da verdade e dos fatos como são, não se chegará ao cerne da questão e possivelmente não haverão soluções coerentes. A filosofia vem para tentar apontar o caminho daquilo que é: o da razão lógica, não se comportando como as diversas ciências, por que não é esse o seu papel. Mesmo as filosofias contrárias, precisam chegar às verdades, que muitas vezes, a “ciência mais evoluída” (Guéroult, p.194) não concluiu com os seus experimentos.

REFERÊNCIAS:

CHESTERTON, G.K. O Poeta e os Lunáticos. Traduzido por Raul Martins Lima. 246p. Rio de janeiro: Sociedade Chesterton Brasil; Porto Alegre: Instituto Hugo de São Vítor, 2017.

ACKER, L. Van. Introdução à Filosofia Lógica. São Paulo: Livraria Académica – Largo do Ouvidor. 5-B. Saraiva & Comp., 1932.