A Modéstia e os Livros

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"Então, como Vos hei de procurar, Senhor? Visto que, procurando a Vós, meu Deus, eu procuro a vida bem-aventurada. Fazei que Vos procure para que a minha alma viva, pois meu corpo vive de minha alma, e minha alma vive de Vós" (Santo Agostinho)

Aproveitando a força desta oração feita por Santo Agostinho e a intenção de também caminhar neste caminho de santidade e felicidade plena; inicio este breve texto de reflexão, inundada do desejo de viver esta plenitude, de em TUDO buscar a Deus, em TUDO encontrar a Deus.

De forma geral, para que se entenda o caminho da modéstia, é necessário conhecer e/ou relembrar a definição bruta da palavra. Digo bruta, por que é preciso lapidá-la, aprofundar-se em sua proposta, para que aconteça seu pleno sentido e missão neste mundo. Portanto, segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa - Michaelis (2021), a palavra modéstia, possui os seguintes significados:

modéstia
mo·dés·ti·a
sf
1 Ausência de vaidade na apreciação de si mesmo; humildade, simplicidade.
2 Ausência de luxo ou de ostentação; simplicidade.
3 Parcimônia ou moderação diante das circunstâncias, dos deveres etc.; sobriedade.
4 Qualidade do que está de acordo com os padrões éticos e morais da sociedade; compostura, decência, pudor.
Contudo, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, no Catecismo - CIC nº 2517 - 2527, vai mais além; vai no misterioso cerne que, paradoxalmente se torna visível às pessoas que desejam vivê-la, e a qual è um constante convite de Jesus, para vivê-la em Espírito e em Verdade.
Mas, o que é necessário para viver a modéstia?
Apoiada nos artigos do Catecismo citados acima, é importante, ao que me parece, relembrar algumas das principais bases firmes ou "dicas práticas", que são fundamentos para a construção do edifício da modéstia, que serão um pouco mais detalhadas, quando se entrelaçarem com os livros e a leitura: 
  • A luta contra a concupiscência da carne, contra as cobiças desordenadas (conf. CIC 2517)
  • A prática da temperança (Idem);
  • A vigilância na busca pela pureza do coração (Ibid., 2518);
  • A pureza exige o pudor; (Ibid., 2521)
  • A restauração pela Boa-Nova de Cristo;
Nos detendo nestes pontos, a reflexão é direcionada para a vivência da modéstia quanto às leituras que fazemos nos dias de nossas vidas. Sim, por que Jesus nos consolou dizendo: 

“Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.*  2.Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e Eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar.* 3.Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e vos tomarei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais. 4.E vós conheceis o caminho para ir aonde vou.”(conf. Jo 14, 1-3 - Tradução da Bíblia Ave-Maria)

E o que isso tem a ver? Tudo! Ora, a vivência da modéstia, vai nos aproximando cada vez mais de Jesus e de Seu Reino, para que lá habitemos eternamente, conforme Ele mesmo disse. Portanto, a primeira providência a tomarmos (não que seja nesta mesma ordem, até por que são somente alguns pontos dos muito que existem. Mas, o Espírito Santo indicará o caminho na ordem necessária), é quanto à constante luta contra a concupiscência da carne e contra as cobiças desordenadas. 

O Catecismo (Ibid., 2515), nos define a concupiscência, à luz da teologia cristã, dizendo que em sentido particular, é "a moção do apetite sensível que se opõe aos ditames da razão humana." Ora, essa veemência, ou seja, este apetite impetuoso, pode nos levar a um caminho perdido, onde podemos colocar na leitura, o extravasar dos nossos descontroles; é como que uma competição conosco mesmos e com os outros. Por exemplo, quando deixamos de fazer uma leitura com qualidade, para rechearmos nossas estantes de muitos e muitos livros desordenadamente, com uma cobiça desordenada, e que no fim, talvez, ter dispendido muito tempo para leituras sem qualidade ou não fazer nenhuma. Pecamos no excesso, perdemos a razão e nada adquirimos de frutuoso. Não há modéstia nenhuma, neste ambiente que fracassadamente contextualizamos.

A vivência da virtude da temperança, nos insere em um contexto que ao mesmo tempo que é simples, gera frutos de eternidade. Aqui está um remédio eficaz contra as concupiscência! O Catecismo (Ibid., 1809) tem uma definição bem objetiva desta virtude cardeal: "é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade." Um testemunho pessoal, posso dar com toda a verdade que brotou em meu ser: No ano de 2020, conheci uma página de controle e interação de leituras que foi a faísca necessária para dar início às concupiscências e um caminho oposto ao da temperança. A virtude e a qualidade das minhas leituras, caíram drasticamente; tracei metas que já estavam me deixando exausta, ansiosa e mais estressada. No fim, mal me lembrava de detalhes das leituras que fiz. Quando a ficha caiu, agora em 2021, com a ajuda inclusive dos cursos da "Sociedade do Livro" da Brasil Paralelo; mudei totalmente o rumo, as metas, a qualidade das leituras e dos demais afazeres do meu cotidiano, principalmente com a Guardiã do meu Lar. Hoje, a leitura tem um outro sentido; tem um equilíbrio; metas bem traçadas não em uma quantidade desordenada, mas na ordem que começou dentro de mim.

Para alcançar as "moradas", é necessário essencialmente, fazer essa viagem interior e arrumar a habitação terrena, que é nosso corpo, nosso intelecto. Então, escolher boas obras, uma de cada vez, mergulhar em cada uma no tempo que for necessário, dialogar com os autores, colocar sua percepção, enfim, abandonar o ERRO desta certa "competição" de leituras consigo e com os demais leitores.

Nada mais explicativo do que é a modéstia, como: a vivência da PUREZA. Assim como é essencial e libertadora a experiência de a cada dia, tentar viver esta virtude nos mais variados sentidos, como no vestir-se, no falar, na simplicidade, na sobriedade. Além disso, torna-se fundamental, como um tijolo do "andar" da pureza, a escolha acertada dos livros que vamos ler. Exemplo disso, são alguns livros clássicos de literatura (que não incentivam a sensualidade e demais pecados como sendo "bons"); os livros escritos pelos santos reconhecidos pela Santa Igreja, como Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Santa Teresa D'Ávila, etc.

É necessário também, muita atenção com a Literatura Infantil, que por tantas vezes são imorais e querem descartar a pureza própria da infância.

Existem na contemporaneidade, infelizmente, livros pervertidos e que colocam em declínio a vivência das virtudes, inclusive da modéstia; podendo acontecer de muitas vidas, muitas almas se perderem, por que mergulharam em literaturas de cunho destruidores, dos quais, muitos deles, tiram o foco até do Essencial: Cristo.     

Leia livros que te façam ir para frente; que te façam refletir; que te façam escolher os caminhos de santidade; enfim, que te mergulhem no sentido da modéstia pois esta, é um caminho eficaz e seguro, uma vez que ordena as várias áreas da nossa vida, do nosso ser.

Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica, já nos ensinava o melhor caminho para a vivência da modéstia, que girava entorno dos seguintes aspectos:  que a movimentação da nossa mente que segue em direção às excelências, seja moderado pela humildade; que os desejos relacionados ao conhecimento, seja equilibrado pela humildade; autocontrole para com os movimentos do corpo e nossas diversas ações cotidianas; assim como, o cuidado e a sobriedade com a nossa apresentação exterior, através das nossas vestes e demais acessórios. 

À esta lista, vale acrescentarmos o tema desta nossa reflexão: a escolha de obras modestas (dentro do contexto geral da nossa vida) para as nossas leituras e sanidade mental, espiritual e corpórea.

Algumas dicas de Leituras:

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Mas antes...

Torna-se necessário, fazer alguns apontamentos, que ao que me parece, são de grande valia relembrarmos e/ou conhecermos:

Se formos pesquisar o estilo de vida das pessoas nas mais diversas civilizações, até aproximadamente meados do século XIX, encontraremos leitores fieis de grandes obras, assim como, os escritores das mesmas. Era como se fossem, ao que me parece, essenciais os momentos de leituras individuais e/ou coletivas, as declamações de obras nas ruas. Percebe-se isto, principalmente quanto aos escritores, a forma com que relatam sua época e/ou uma estimativa do futuro; nas denúncias que as entrelinhas continham; os seus anseios. Basta pegarmos as obras do escritor inglês G.K. Chesterton, o qual visivelmente fazia este retrato nas páginas de seus diversos livros.

Havia portanto, uma qualidade de leitura: seja na escolha das obras, seja no tempo dedicado a tal atividade. 

Precisamos ter o agradável hábito de escolher com sabedoria, sobriedade, pureza, o que vamos ler, uma vez que através da leitura de obras insanas, muitas almas se perderam.

Alguns livros essenciais no nosso Lar:

  • A Bíblia Sagrada;
  • Os escritos dos santos e/ou suas biografias;
  • A coleção da Patrística;
  • Obras de G.K.Chesterton;
  • Obras de J.R.R.Tolkien (um autor católico que nos convida a entrarmos em seus contos e e descobrirmos um mundo além do que está somente escrito);
  • Dentre outros, que estarei divulgando, resenhando, indicando, ..., no decorrer dos meus dias.

 

REFERÊNCIAS:

BÍBLIA SAGRADA. Tradução dos originais - mediante a versão dos Monges de Maredsous (Bélgica) pelo Centro Bíblico Católico. Evangelho Segundo São João. Cap. 14. Vers. 1-3. p.1404. 109ª ed. Ave-Maria: São Paulo. 

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Edição Típica Vaticana. Edições Loyola: São Paulo, 2000. 

MICHAELIS on-line. DICIONÁRIO BRASILEIRO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Melhoramentos: 2021.Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=modéstia. Acesso em: 11 mai. 2021.

SOCIEDADE DO LIVRO. Brasil Paralelo. Disponível em: https://site.brasilparalelo.com.br/sociedade-do-livro/